Correios terão novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do governo Lula

Tesouro Nacional autorizou a operação com quatro bancos privados; estatal acumula prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026

Redação
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Os Correios devem receber um novo empréstimo de R$ 7 bilhões ainda nesta semana, após o Ministério da Fazenda autorizar a garantia do Tesouro Nacional para a operação. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (28) e faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal, que enfrenta uma sequência de resultados negativos.

O financiamento foi negociado com quatro bancos privados: Banco ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. O contrato prevê prazo de 15 anos, com carência de 36 meses antes do início dos pagamentos. A taxa de juros será equivalente a 114,26% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), indicador que acompanha de perto a taxa básica de juros da economia.

A garantia do Tesouro significa que, caso os Correios não consigam pagar a dívida, a União poderá ser obrigada a assumir os pagamentos aos bancos. Na prática, o governo federal oferece uma garantia pública para viabilizar o crédito concedido à empresa estatal.

A situação financeira dos Correios preocupa. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, resultado superior à perda de R$ 4,26 bilhões registrada no mesmo período de 2025. No ano passado, o rombo chegou a R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado anual negativo consecutivo desde 2021.

O novo empréstimo é a segunda operação bilionária com garantia da União em menos de um ano. Em dezembro de 2025, os Correios contrataram R$ 12 bilhões junto a cinco instituições financeiras, entre elas Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Na ocasião, os recursos foram destinados à recomposição do caixa, à regularização de compromissos financeiros e à normalização dos serviços.

Além dos empréstimos, o planejamento financeiro prevê um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões em recursos públicos até o fim de 2027. O valor foi incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual do próximo ano.O plano de reestruturação também prevê medidas para reduzir despesas e aumentar receitas, como programa de demissão voluntária, renegociação de contratos, automação da logística, venda de imóveis e fechamento de parte das agências. A meta da direção é recuperar a saúde financeira da empresa e voltar a registrar lucro até o fim de 2027.

A concessão da nova garantia ocorre após o Tribunal de Contas da União (TCU) abrir um processo para apurar a análise de risco relacionada ao empréstimo anterior, de R$ 12 bilhões. O tribunal apontou possíveis falhas na avaliação da capacidade de pagamento da estatal e alertou para o risco fiscal assumido pela União.

Com a nova operação, os Correios terão acesso a mais recursos para tentar equilibrar as contas, mas o volume de prejuízos mantém a recuperação financeira da empresa como um desafio para os próximos anos.

 

Fonte – Folha do estado

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