A Meta, empresa proprietária de Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que cumpriu uma série de exigências da Corte sobre a eleição presidencial. Uma delas foi adotar mecanismo de revisão humana para analisar bloqueios a contas de anúncios de campanha.
O que a Meta respondeu ao TSE
Em resposta ao TSE enviada ontem, a empresa disse que haverá revisão humana “obrigatória” em até duas horas para “qualquer suspensão ou restrição automatizada aplicada às contas de anúncios das campanhas presidenciais”. O mecanismo será adotado até domingo, dia do segundo turno.
A Meta também negou agir para favorecer campanhas. Disse atuar com “boa-fé” e que “não houve desídia nem resistência ao cumprimento” de determinações do TSE. Pediu ainda que não sejam aplicadas multas à empresa.
A resposta foi encaminhada ao ministro Marco Antônio Belizze. Ele é relator no TSE de uma representação da coligação do presidente Lula (PT), que alegou que a Meta estaria restringindo de forma seletiva publicações do presidente e de perfis de esquerda de modo a desequilibrar as eleições.
Em decisão no último dia 15, Belizze fez uma série de determinações à Meta sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Entre elas, estavam ajustes na ferramenta de IA da empresa após a constatação que ela gerava informações sobre Flávio Bolsonaro (PL) e não fazia o mesmo sobre Lula (PT), conforme noticiou a colunista do UOL Thais Bilenky.
Limitações técnicas
A empresa alegou que há um impasse técnico envolvendo posts com colaboração no Instagram. Segundo a Meta, a arquitetura atual da plataforma impede retirar a recomendação do post apenas no perfil oficial do candidato sem afetar a exibição no perfil do coautor. Para evitar violações à legislação eleitoral, a plataforma optou por barrar a recomendação do post colaborativo como um todo.
A Meta solicitou uma reunião de trabalho em caráter de urgência com o tribunal para esclarecer pontos técnicos do processo. A empresa anunciou a entrada em vigor de uma lista de permissão que restringe o impulsionamento de anúncios políticos no Brasil exclusivamente a candidatos, partidos, coligações e federações registrados no TSE.
Em relação a conteúdos de inteligência artificial não identificados, a plataforma revelou ter auditado 1.204 publicações denunciadas. Dessas, 720 posts foram removidos ou tornado indisponíveis por descumprirem as regras do TSE sobre rotulagem obrigatória de inteligência artificial. Outros 270 conteúdos já continham a sinalização adequada e 214 foram classificados como não eleitorais.
A empresa também prestou contas sobre a investigação de 255 contas suspeitas, concluindo não haver indícios de comportamento inautêntico coordenado.
Fonte – UOL
